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sábado, 19 de setembro de 2026
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Squash estreia em LA 2028 depois de 4 recusas seguidas — e o caminho do Brasil não passa pelo ranking

Guia prático do squash olímpico: como funciona o placar PAR, o formato de 16 vagas por gênero em LA 2028 e por que a rota real do Brasil pra vaga não é o ranking mundial, é o Pan-Americano de Lima 2027.

Jhonathan Meireles 7 min de leitura
Jogador de squash rebatendo a bola em quadra de vidro durante partida
Jogador de squash rebatendo a bola em quadra de vidro durante partida

Quatro vezes seguidas o Comitê Olímpico Internacional olhou pro squash e disse não — nas disputas por vaga em Londres 2012, Rio 2016, Tóquio 2020 e Paris 2024, o esporte ficou de fora todas as vezes, segundo o histórico reunido pela Wikipedia sobre o squash nos Jogos de 2028. Em outubro de 2023, na quinta tentativa, o COI finalmente disse sim. Por que dessa vez foi diferente não é história de esporte que melhorou — é história de quem passou a decidir.

O que mudou entre a quarta recusa e o quinto sim

Nas primeiras rejeições, a justificativa recorrente era técnica: bola pequena e escura, difícil de acompanhar na TV. O squash respondeu com quadra de vidro, replay de vídeo e sistema de três árbitros pra reduzir disputa de let — mudanças reais, mas que não bastaram em 2012, 2016 nem 2020.

O que decidiu a entrada pra Los Angeles não foi regra nova, foi comitê organizador local com poder de escolha. Desde Tóquio, cada cidade-sede ganha margem pra propor esportes adicionais — e Los Angeles, com tradição forte de squash universitário, escolheu squash, beisebol/softbol, flag football, lacrosse e críquete pro pacote de 2028. O squash não convenceu o COI pela quinta vez porque melhorou sozinho — convenceu porque, dessa vez, quem propôs o programa queria ele lá.

Como o squash vai funcionar em Los Angeles

A modalidade estreia em julho de 2028 só no individual — sem duplas, sem equipes — com 16 vagas por gênero, 32 atletas no total, disputadas na Comcast Squash Center, uma arena montada especialmente dentro do Universal Studios Lot entre os dias 15 e 24 de julho, conforme o guia oficial do site dos Jogos Olímpicos.

O placar segue o sistema PAR (Point-A-Rally, ponto em toda rebatida, não só de quem sacou), adotado pelo squash profissional em 2004 pra substituir o placar antigo, mais lento, em que só quem sacava marcava ponto. As regras que decidem cada partida:

  • Cada disputa de bola vale ponto, não importa quem serviu — diferente do sistema antigo, que travava o placar em rallies longos sem pontuação.
  • Vence o game quem chegar a 11 pontos com 2 de vantagem — sem vantagem, joga até alguém abrir 2 de diferença.
  • A partida é melhor de 5 games — o primeiro a fechar 3 games leva o confronto, igual ao squash de circuito PSA que qualquer fã já acompanha.
  • A bola só pode quicar uma vez no chão antes de ser rebatida, e precisa bater na parede frontal entre a linha do “tin” (a faixa de metal na base) e a linha de saída — errar essa faixa é ponto perdido na hora.

Squash x badminton x tênis: o placar que ninguém compara direito

Os três são esportes de raquete que o Setor Norte já cobriu, mas cada um resolve o “quem venceu o ponto” de um jeito completamente diferente — e é aí que mora a maior confusão de quem assiste squash pela primeira vez achando que é “tênis fechado”:

CritérioSquashBadmintonTênis
Pontuação por rallySempre (PAR)Sempre (rally point)Só quando a bola sai de jogo
Meta pra fechar o game11 pontos, 2 de vantagem21 pontos, 2 de vantagem6 games, com tie-break em 6-6
Formato da partidaMelhor de 5 gamesMelhor de 3 gamesMelhor de 3 ou 5 sets
Quicadas permitidas antes de rebater10 (a peteca não pode tocar o chão)1
Superfície de jogo4 paredes + teto conta como “fora”Quadra aberta com redeQuadra aberta com rede

O detalhe que mais surpreende: squash e badminton pontuam em toda disputa de bola (ou peteca), igual o vôlei fez desde os anos 1990 — enquanto o tênis segue no sistema de games que só resolve o empate no tie-break. Squash puxou pro sistema rápido justamente pra resolver o problema que travou as candidaturas de 2012 e 2016: partida com tempo previsível cabe melhor na grade olímpica. Registrei essa mesma lógica de “resolver empate de forma direta” ao explicar como funciona o tie-break que o tênis levou décadas pra aceitar — squash nunca teve esse problema porque nasceu sem empate possível.

Como se chega à vaga olímpica — e por que o caminho não é óbvio

A distribuição das 16 vagas por gênero em LA 2028 tem cinco portas diferentes, e a maioria dos jogadores de squash do mundo — e quase todo o Brasil — não vai passar pela mais óbvia:

  • 8 vagas por gênero saem direto do ranking mundial da PSA, com corte em 22 de maio de 2028 — só entra quem estiver dentro do top 50 do ranking nessa data, de acordo com o sistema de qualificação divulgado pela federação e detalhado pela cobertura da The Bridge.
  • 5 vagas por gênero vêm de Jogos Continentais: o campeão dos Jogos Asiáticos, dos Jogos Africanos, dos Jogos Europeus, dos Jogos do Pacífico e do Pan-Americano de Lima 2027 — cada um garante uma vaga direta pro vencedor da chave, independente de ranking mundial.
  • 1 vaga por gênero é garantida aos Estados Unidos como país-sede.
  • 1 vaga por gênero é reservada pra ampliar a presença global do esporte (a “vaga de universalidade”).
  • 1 vaga por gênero sai de um torneio final de repescagem, disputado entre 6 e 10 de junho de 2028.

Minha leitura: o Brasil não entra pelo ranking, entra pelo Pan-Americano

Aqui está o cálculo que a maioria dos textos sobre squash brasileiro não faz: o melhor colocado do país no ranking mundial é Diego Gobbi, paulista de 29 anos, na 88ª posição do ranking PSA — conforme o site oficial dos Jogos Olímpicos registrou ao destacar a melhor marca da carreira dele. Entre a 88ª posição de Gobbi e o corte de top 50 em maio de 2028 tem quase 40 posições de distância — recuperável, mas não é o caminho mais realista pra um atleta que joga o circuito com fração do orçamento dos concorrentes do Egito, Inglaterra ou Malásia.

O caminho que realmente existe passa pelo Pan-Americano de Lima 2027, confirmado no calendário oficial da federação internacional conforme anunciado pelo World Squash: quem vencer o individual lá carimba vaga olímpica direta, sem depender de ranking mundial nenhum. É a mesma lógica que expliquei em como funciona a qualificação olímpica pra LA 2028 — sem profundidade de elenco pra brigar pelo ranking global, o torneio continental vira a porta mais curta, porque o adversário direto não é o mundo inteiro, é só o continente.

Isso coloca o squash na mesma prateleira dos outros esportes novos de LA 2028 em que o Brasil precisa de rota alternativa pra ter chance real — só que aqui a rota já tem nome, data e cidade: Lima, julho de 2027. Diferente do críquete, que estreia no mesmo LA 2028 sem federação forte o suficiente pra brigar por vaga sul-americana, o squash brasileiro já tem confederação ativa desde 1991 e um atleta badalado o bastante pra reduzir a lacuna até lá — o que não garante nada, mas deixa o caminho aberto.

Onde essa aposta pode falhar

Vale a honestidade: mesmo vencendo o individual em Lima, o Brasil precisa que Gobbi ou Laura Silva — líder do ranking nacional feminino, na 115ª posição mundial — cheguem afiados contra Argentina, Colômbia e Peru, países com squash mais estruturado na região. Uma lesão ou uma chave dura no Pan-Americano fecha a única porta realista antes mesmo do corte de ranking valer alguma coisa — e não tem plano B dentro do mesmo ciclo.

Perguntas frequentes

Quando o squash vai estrear nas Olimpíadas? Em Los Angeles 2028, entre 15 e 24 de julho, na Comcast Squash Center montada dentro do Universal Studios Lot. É a primeira vez do esporte no programa olímpico.

Squash vai ter duplas ou só individual em LA 2028? Só individual — masculino e feminino, 16 atletas por gênero, sem competição de duplas nem por equipes.

Como funciona o placar do squash? Sistema PAR: todo rally vale ponto, não importa quem sacou. Vence o game quem chegar a 11 pontos com 2 de vantagem, e a partida é melhor de 5 games.

O Brasil tem chance de vaga olímpica em squash? O ranking mundial deixa o Brasil longe do corte (Diego Gobbi está na 88ª posição, precisa de top 50). A rota mais realista é vencer o individual no Pan-Americano de Lima 2027, que garante vaga direta pro campeão continental.

Fontes

J

Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura esportiva com análise tática, contexto e dados. Editor do Setor Norte.

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