sexta-feira, 19 de junho de 2026
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Os 5 esportes novos de LA 2028, do mais fácil ao mais difícil pro Brasil ganhar medalha

Cinco modalidades estreiam em Los Angeles 2028 e somam 698 atletas a mais nos Jogos. Rankeei as cinco da maior pra menor chance de medalha brasileira, com os critérios que importam e onde o Brasil já está no mapa.

Renato Albuquerque 6 min de leitura
Estádio olímpico iluminado à noite com pista de atletismo e arquibancadas lotadas durante competição
Estádio olímpico iluminado à noite com pista de atletismo e arquibancadas lotadas durante competição

Numa votação em Mumbai, em outubro de 2023, o Comitê Olímpico Internacional aprovou cinco esportes de uma vez só pra Los Angeles 2028. Cinco. Foi o maior pacote de novidades desde que o COI passou a deixar a cidade-sede sugerir modalidades, em Tóquio 2020. E a pergunta que ninguém no Brasil fez na hora foi a mais óbvia: em qual desses cinco a gente tem chance real de subir no pódio?

Passei a lista pela peneira que importa pra torcedor brasileiro, não pra ianque. Resultado abaixo, do mais fácil pro mais improvável.

Quais são os cinco esportes que entraram

Los Angeles 2028 terá flag football, críquete, squash, lacrosse e beisebol-softbol como modalidades adicionais, todas confirmadas pelo COI em 16 de outubro de 2023. Juntas, elas acrescentam 698 vagas de atletas aos Jogos, segundo o comunicado oficial do COI, de 2023. É o maior bloco de estreias da era moderna.

Beisebol-softbol, na verdade, é um velho conhecido voltando: já foi olímpico entre 1992 e 2008, saiu, e volta agora. Os outros quatro são estreias de fato. Críquete só apareceu uma vez nos Jogos, em Paris 1900, com dois times. Lacrosse teve passagens entre 1904 e 1908. Flag football e squash nunca tinham chegado perto.

A lógica do COI foi clara, e ninguém esconde: encher o estádio nos Estados Unidos e fora dele. Críquete entrega o sul da Ásia inteiro. Flag football entrega a NFL. Beisebol entrega Japão, Coreia e a própria Califórnia. É audiência antes de tudo. Pro Brasil, sobra a pergunta de sempre: dá pra brigar?

O que eu olhei pra rankear a chance do Brasil

Antes de cravar a lista, vale dizer a régua. Usei três critérios, e cada esporte ganhou nota de 1 a 5 em cada um. Sem isso, “chance de medalha” vira achismo de torcida.

Critério 1: onde o Brasil está no ranking mundial hoje

Não adianta entrar num esporte se a seleção é 40ª do mundo. O que pesa é proximidade real do top 8, que é mais ou menos onde mora uma medalha em torneio de eliminatória curta. Quanto mais perto do pódio mundial atual, maior a nota.

Critério 2: quantas vagas existem e como se qualifica

Esporte com poucas vagas e qualificação por ranking continental favorece o Brasil - somos a potência das Américas em quase tudo. Já um esporte dominado por duas ou três superpotências, com chave fechada, é parede. A largura do funil de entrada muda tudo.

Critério 3: profundidade da base no país

Tem clube, federação, liga e atleta jovem? Ou é meia dúzia de pioneiros segurando a bandeira? A base não decide LA 2028 sozinha, mas decide se o resultado se sustenta até 2032. Pra entender como esse funil de qualificação funciona na prática, vale ler como funciona a qualificação olímpica para LA 2028.

O ranking: do mais fácil ao mais difícil

#EsporteRanking BRVagas/funilBase no paísChance de medalha
1Flag footballAltaMédioCrescendoReal, no feminino
2Beisebol-softbolMédiaEstreitoRazoávelPossível no softbol
3SquashBaixaMédioPequenaImprovável
4LacrosseBaixaEstreitoQuase zeroMuito improvável
5CríqueteQuase nulaEstreitoQuase zeroPraticamente nula

Flag football lidera com folga. A seleção feminina brasileira terminou o Mundial de 2024, em Lahti, na Finlândia, em sexto lugar, segundo a International Federation of American Football. Para um esporte que a maioria do país nunca jogou, é teto altíssimo. Tem liga crescendo, base feminina forte e qualificação que passa pelas Américas, onde só os EUA estão claramente à frente. Detalhei o caminho em por que o Brasil tem chance real no flag football de LA 2028.

Beisebol-softbol fica em segundo, mas com asterisco. O beisebol masculino é parede: Japão, Coreia, EUA e Cuba ocupam o pódio há décadas. O softbol feminino é menos travado, e o Brasil tem tradição maior na modalidade do que no beisebol. Ainda assim, depende de cota de vagas que o COI não fechou. É um “possível”, não um “provável”.

Squash, lacrosse e críquete são honestidade dura. No squash, o Brasil mal aparece no top 50 mundial, dominado por Egito e Inglaterra. Lacrosse é esporte de nicho universitário norte-americano, com base brasileira perto de zero. E críquete, sejamos francos, é Índia, Austrália, Inglaterra e Paquistão dividindo o mundo entre si há mais de um século. Entrar na chave já seria notícia.

Minha aposta: a única medalha realista vem do flag football feminino

Se eu tivesse que cravar uma só, cravo o flag football feminino. Não por torcida - por conta. É o único dos cinco onde o Brasil já está dentro do top 8 mundial num Mundial recente, com base que cresce e funil de qualificação que não exige passar por cima de cinco superpotências. Os outros quatro vão de “talvez, num dia perfeito” a “vamos torcer pra classificar”.

O que pode mudar essa leitura? Cota de vagas. Se o COI abrir o softbol feminino com qualificação continental generosa, o Brasil pode brigar ali também. Mas isso ainda não está definido, e construir esperança em cima de regra não publicada é o erro clássico de ciclo olímpico. Se você acompanha o mapa de chances do país nessa janela, vale cruzar com o panorama do Brasil rumo a LA 2028 com Calderano e Rebeca Andrade, onde as medalhas mais prováveis seguem vindo dos esportes de sempre.

Perguntas que todo mundo faz sobre os novos esportes

Quando começam as Olimpíadas de Los Angeles 2028?

Os Jogos de LA 2028 estão marcados para julho e agosto de 2028, com a cerimônia de abertura prevista para 14 de julho, segundo o cronograma divulgado pelo comitê organizador LA28. As datas exatas de cada esporte novo ainda dependem do calendário detalhado, que costuma sair a cerca de um ano dos Jogos.

Qual esporte saiu do programa para esses cinco entrarem?

Nenhum saiu por causa deles. Os cinco entraram como modalidades adicionais propostas pela sede, fora do programa central fixo de 28 esportes. O boxe e o levantamento de peso, que estiveram sob ameaça por questões de governança, acabaram mantidos no programa de LA 2028 pelo COI.

O flag football é mesmo o futebol americano?

É a versão sem contato. Em vez de derrubar o adversário, você arranca uma bandeira presa na cintura dele para encerrar a jogada. Joga-se cinco contra cinco, em campo menor, e a NFL banca a popularização global porque enxerga ali a porta de entrada do esporte fora dos Estados Unidos.

Vale terminar com

Cinco esportes novos parecem cinco chances. Pro Brasil, são uma e meia: flag football feminino de verdade, softbol feminino se o regulamento ajudar. O resto é audiência americana e mercado asiático, não pódio verde-amarelo. E não tem problema nenhum nisso - reconhecer onde a medalha mora é o primeiro passo pra investir certo nos próximos dois anos, em vez de espalhar verba em esporte que o país não joga.

Fontes

R

Escrito por

Renato Albuquerque

Cobertura esportiva com análise tática, contexto e dados.

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