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quarta-feira, 5 de agosto de 2026
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Fórmula 1

Mercedes lidera a F1 por 72 pontos, mas o ritmo preocupa

Mercedes venceu as 6 primeiras corridas de 2026, mas perdeu a pole em Budapest e viu a Ferrari cortar 26 pontos em 3 fins de semana. Refiz a conta da folga real.

Jhonathan Meireles 5 min de leitura
Carro de Fórmula 1 da Mercedes no pit lane durante sessão de treino
Carro de Fórmula 1 da Mercedes no pit lane durante sessão de treino

Faltavam poucos minutos pro fim do Q3 em Budapest quando a Mercedes percebeu que não ia sair de lá com mais uma pole. Desde a primeira corrida de 2026 isso não acontecia — nem uma vez. Lando Norris cravou a volta, tirou a sequência perfeita da Mercedes e, no domingo, fez algo que a McLaren ainda não tinha feito na temporada inteira: venceu.

Parece detalhe. Não é. A Mercedes segue líder do Mundial de Construtores com folga de 72 pontos sobre a Ferrari, segundo dados divulgados pela própria equipe após o GP da Hungria. Só que essa foto parada esconde um filme em movimento — e o filme não está a favor da Mercedes.

O que aconteceu em Budapest

A McLaren chegou à Hungria com um piso novo no MCL40, carro que usa motor Mercedes. Não foi um ajuste cosmético. Simone Resta, diretor técnico adjunto da Mercedes, comentou a atualização no podcast interno da equipe, o Nu Silver Arrows Radio Show, e não escondeu a surpresa: “com certeza é uma atualização de tamanho considerável, e ela deve ter tido impacto na performance deles. Mas também, se você olhar a diferença entre os dois carros [da McLaren], ela é significativa”, disse, segundo o Motorsport.com.

Essa segunda frase é a mais interessante. Resta não está só elogiando o piso novo — está dizendo que a McLaren também resolveu o problema que a perseguia desde março: a inconsistência entre Norris e Piastri. Quando os dois carros ficam parecidos, a equipe vira ameaça dupla, não simples surpresa pontual.

A temporada começou do jeito oposto. Mercedes venceu as seis primeiras corridas de 2026, todas largando da pole — um domínio raro sob o regulamento novo de motor híbrido 50-50 e aerodinâmica ativa, que eu já expliquei em detalhe no texto sobre o regulamento técnico 2026. Só que Ferrari e McLaren foram atualizando o pacote enquanto a Mercedes lidava com problemas de confiabilidade na power unit — falhas que já custaram pontos reais à equipe, segundo o próprio Resta.

Por que 72 pontos não é a mesma coisa que “tranquilo”

Aqui entra a conta que ninguém publicou ainda. A Ferrari recuperou 26 pontos sobre a Mercedes nos últimos três fins de semana — a fonte é a própria Mercedes, via Motorsport.com. Isso dá uma média de 8,6 pontos por corrida. Se a Scuderia mantiver esse ritmo — o que é uma hipótese, não uma garantia, porque forma de equipe oscila —, ela zeraria a diferença de 72 pontos em cerca de 8 fins de semana. Não é a temporada inteira, mas também não é pouco: dá quase três meses de calendário.

O detalhe que muda a leitura: a Ferrari fez essa conta de recuperação SEM contar com a McLaren, que só apareceu como ameaça de verdade agora, em Budapest. Ou seja, a Mercedes não está sendo perseguida por um rival. Está sendo perseguida por dois, em ritmos diferentes e por motivos diferentes — a Ferrari por evolução constante, a McLaren por um salto pontual de upgrade.

O que a Mercedes disse sobre o próprio atraso

Resta foi direto ao reconhecer que a equipe está pesando quando lançar o próprio pacote de upgrades pro segundo semestre: “em que corridas a gente introduz essas peças, onde entram a oportunidade do ADUO na power unit, as atualizações aerodinâmicas no chassi também. E garantir que estamos ritmando isso do jeito certo, sem tropeçar tentando avançar rápido demais”, disse ele, de acordo com a mesma entrevista.

Vale explicar o ADUO pra quem não acompanha o jargão: é o programa que libera fichas extras de desenvolvimento de motor a equipes que ficaram atrás no primeiro ano do regulamento novo — eu detalhei o mecanismo completo quando a Ferrari usou o próprio ADUO pra tentar zerar o déficit de potência pro Ford. A ironia é que agora é a Mercedes, líder do campeonato, falando a mesma língua de quem está atrás: cautela pra não desperdiçar o orçamento de desenvolvimento com a peça errada na hora errada.

Isso não é fraqueza — é o oposto do que a Mercedes fazia há dois meses, quando eu escrevi sobre a equipe disparando na classificação pós-Miami sem sinal de resposta dos rivais. A diferença de discurso entre maio e julho é o próprio resumo da temporada: dominância que virou administração de vantagem.

A tabela que resume a pausa de verão

EquipeSituação no meio do anoFator decisivo
MercedesLíder, mas com falhas de confiabilidade na power unitVitórias das 6 primeiras corridas, sem pole em Budapest
Ferrari72 pontos atrás, recuperando 26 nos últimos 3 fins de semanaAtualizações constantes desde o meio da temporada
McLarenPrimeira vitória da temporada, gap entre pilotos encurtouPiso novo no MCL40 chamou atenção da própria Mercedes

Minha leitura, sem rodeio: a Mercedes ainda deveria fechar o campeonato de construtores — 72 pontos é uma almofada real, e a equipe tem seis vitórias de largada consecutivas mostrando que o carro base é bom. Mas “ainda deveria vencer” e “está confortável” deixaram de ser sinônimos em julho. Se a Ferrari repetir os últimos três fins de semana e a McLaren confirmar que resolveu a inconsistência entre os carros, a Mercedes chega à reta final de 2026 defendendo, não atacando — e equipe que defende título costuma cometer o erro que não cometeria atacando.

Fontes

J

Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura esportiva com análise tática, contexto e dados. Editor do Setor Norte.

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