F1 fecha acordo de 1 bilhão de libras com Sky até 2034 no Reino Unido
Sky e F1 estendem contrato no Reino Unido até 2034 e na Itália até 2032 por cerca de 200 milhões de libras por ano. Entenda o salto de receita e o efeito Antonelli-Norris.
TL;DR
- A Fórmula 1 e a Sky anunciaram em 6 de maio de 2026 a extensão do contrato de transmissão exclusiva ao vivo no Reino Unido e Irlanda até a temporada de 2034 e na Itália até 2032, segundo comunicado reproduzido pela Sky Sports.
- O valor do trecho britânico é estimado em cerca de 1 bilhão de libras ao longo de cinco anos, ou aproximadamente 200 milhões de libras por temporada, contra os cerca de 129 milhões anuais do contrato anterior, conforme apuração da RacingNews365.
- Em 2025, a Sky bateu recorde com 162 milhões de horas assistidas no Reino Unido e na Irlanda, audiência feminina mais que dobrou desde 2012 e público abaixo de 35 anos cresceu 120%, conforme dados divulgados pela Sky Sports.
- O acordo cobre todos os treinos, classificações, sprints e GPs, além de F2, F3, F1 Academy e Porsche Supercup, sem mudança no formato de free-to-air, conforme a The Race e a Autosport.
O que a F1 e a Sky anunciaram nesta quarta?
A Fórmula 1 confirmou na manhã de 6 de maio uma renovação plurianual com a Sky que prolonga a parceria exclusiva ao vivo no Reino Unido e Irlanda até a temporada de 2034, somando cinco anos ao contrato anterior, que iria até 2029. Em paralelo, a Sky Italia teve a janela estendida até 2032, segundo comunicado da Sky Sports. O presidente da F1, Stefano Domenicali, afirmou que a Sky “sempre foi uma parceira dedicada, confiável e apaixonada” desde o início da relação.
A novidade financeira foi reportada pela RacingNews365: a parte britânica passa a valer cerca de 1 bilhão de libras em cinco anos, equivalente a 200 milhões de libras por temporada. O contrato de seis anos vigente entre 2023 e 2029 girava em torno de 129 milhões anuais, segundo a mesma publicação. A diferença, na ponta da conta, ultrapassa 70 milhões de libras a mais por ano para a F1 dentro de uma única praça.
A executiva-chefe da Sky, Dana Strong, declarou que o pacote “garante a Sky como a casa da Fórmula 1 nos próximos anos, com a chegada de uma era empolgante e mais talento britânico no grid”, em fala reproduzida pela Autosport. O acordo cobre práticas, classificações, sprints, todos os GPs, F2, F3, F1 Academy e Porsche Supercup. O modelo de free-to-air no Reino Unido segue inalterado: a Channel 4 mantém os melhores momentos das corridas fora de Silverstone, enquanto o GP da Inglaterra continua aberto.
Por que o salto de 129 milhões para 200 milhões por ano agora?
A explicação curta cabe em duas palavras: audiência crescente. A própria Sky divulgou que 2025 fechou com 162 milhões de horas assistidas no Reino Unido e na Irlanda, alta de 14% sobre o período de três anos anteriores, segundo a The Race. Desde a chegada da F1 ao canal, em 2012, o consumo total cresceu 90%, o público abaixo de 35 anos avançou 120% e a audiência feminina mais que dobrou, conforme números divulgados pela Sky Sports. Para um produto esportivo que vivia, na década passada, sob o estigma de “esporte de meia-idade”, essa fotografia explica a disposição da Sky em pagar mais.
A explicação longa envolve a janela competitiva inglesa. Lando Norris é campeão mundial vigente, Lewis Hamilton entrou no segundo ano de Ferrari, George Russell lidera tecnicamente a Mercedes e Oliver Bearman estreou em equipe de ponta. Quatro britânicos no grid em ano de mudança de regulamento técnico tendem a sustentar o pico de interesse — e justificam o premium pago pela Sky para travar o conteúdo até a metade da próxima década.
Na Itália, o motor é outro: Kimi Antonelli, 19 anos, lidera a temporada de 2026 e detonou o que a imprensa local chama de “efeito Mansell” — referência ao salto de audiência britânico no início dos anos 1990. A The Race registra alta de 25% no consumo na Itália, atribuída em boa parte ao começo de temporada do italiano. Não por acaso o contrato italiano foi estendido até 2032, oferecendo previsibilidade de receita mesmo se o ciclo Antonelli encurtar.
Que efeito o acordo tem sobre o ecossistema da F1?
O primeiro efeito é orçamentário direto. A F1 distribui parte da receita comercial às equipes via Concorde Agreement, e cada salto de receita global pressiona para cima o teto de pagamentos a Mercedes, Ferrari, McLaren e companhia — sem que qualquer dessas equipes precise mexer no próprio orçamento de patrocínio. Em ano de teto de gastos (cost cap) e regulamento técnico novo, esse fluxo extra é amortecedor importante.
O segundo efeito é territorial. A Sky bloqueia o lance de 2030-2034 antes do leilão hipotético abrir, o que tira a F1 da possibilidade de levar a corrida para outra plataforma — Amazon, DAZN, Apple — mas, em troca, garante que o calendário britânico tenha quem coproduza conteúdo com pé no chão local. A própria Sky mantém a equipe de transmissão com Martin Brundle, David Croft, Karun Chandhok e Bernie Collins, identidade já consolidada com o público inglês.
O terceiro efeito é estratégico. A F1 aproveita a janela de Liberty Media para alongar contratos enquanto a curva de audiência sobe, em vez de esperar uma eventual desaceleração. A Motorsport Week lembra que o esporte já renovou ou estendeu acordos relevantes na Espanha (DAZN), Estados Unidos (ESPN, em vigor até 2025) e Alemanha (Sky Deutschland). Trancar Reino Unido e Itália agora reduz o risco de perda regional num eventual reaquecimento de propostas vindas de plataformas digitais globais.
| Mercado | Janela de transmissão | Período do contrato anterior | Novo período |
|---|---|---|---|
| Reino Unido + Irlanda | Sky Sports F1 (exclusivo ao vivo) | até 2029 | até 2034 |
| Itália | Sky Italia | até 2027 (relato pela The Race) | até 2032 |
| Reino Unido (free-to-air) | Channel 4 (highlights e GP da Inglaterra) | inalterado | inalterado |
A tabela ajuda a ver por que o anúncio é maior do que parece. Ele cria, ao mesmo tempo, uma extensão de cinco anos no Reino Unido e Irlanda e um upgrade italiano de cinco temporadas. Para a Sky, é a chance de continuar como única detentora de F1 ao vivo durante o ciclo Antonelli, Hamilton, Norris e o que vier depois — sem estresse de leilão até quase o fim da próxima década.
Perguntas frequentes
O contrato muda algo na transmissão para o Brasil? Não. O acordo cobre apenas Reino Unido, Irlanda e Itália, conforme a Sky Sports. No Brasil, F1 TV Pro segue como streaming oficial e a janela linear é definida em contrato à parte com Bandeirantes e Disney/ESPN.
Qual é o valor do acordo? A parte britânica é estimada em cerca de 1 bilhão de libras em cinco anos, equivalente a aproximadamente 200 milhões de libras por temporada, segundo apuração da RacingNews365. Os números do trecho italiano não foram divulgados oficialmente. Yahoo Sports estima o pacote total em torno de 1,35 bilhão de dólares, conforme reportagem própria reproduzida em outras publicações.
O que acontece com a Channel 4 e o GP da Inglaterra? Nada muda. A Channel 4 segue exibindo os melhores momentos das corridas fora do Reino Unido e a transmissão integral do GP da Inglaterra em TV aberta, em arranjo independente do contrato Sky-F1, segundo a Autosport.
Fontes
- Sky Sports - Sky permanece como casa da F1 até 2034 após extensão de cinco anos
- Autosport - Sky Sports estende contrato de transmissão ao vivo da F1
- The Race - Sky Sports estende acordos de F1 no Reino Unido e na Itália
- RacingNews365 - F1 confirma novo acordo de TV de 1 bilhão de libras
- Motorsport Week - F1 e Sky anunciam grande extensão multianual
Escrito por
Jhonathan Meireles
Cobertura esportiva com análise tática, contexto e dados. Editor do Setor Norte.


