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sábado, 19 de setembro de 2026
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Fórmula 1

Pausa da F1: Haas murcha, Williams desaba, Cadillac resiste

A Cadillac não pontuou em 2026 e saiu da pausa com nota melhor que a Williams. Refiz a leitura do boletim de meio de temporada olhando trajetória, não posição.

Jhonathan Meireles 5 min de leitura
Pit lane e boxes de equipes de Fórmula 1 vistos durante um fim de semana de corrida
Pit lane e boxes de equipes de Fórmula 1 vistos durante um fim de semana de corrida

A Fórmula 1 entrou na pausa de verão com a Mercedes na ponta e o McLaren tentando reagir — essa é a manchete que todo mundo já leu essa semana. A que ninguém contou direito é a de trás do grid: a equipe que estreou em 2026 sem pontuar uma vez sequer está saindo do recesso com nota melhor, segundo o próprio boletim oficial da categoria, do que uma equipe tradicional que caiu do 5º pro 9º lugar do campeonato. Não é força de expressão. É o resumo mais honesto da primeira metade do ano.

Falo de Cadillac, Williams e Haas — as três equipes que fecham a tabela de construtores e que, juntas, contam uma história mais interessante do que a briga de ponta neste momento específico da temporada.

A Haas que começou voando e caiu numa curva de cinco corridas

A Haas entra no recesso em 7º lugar, com 21 pontos, à frente só de Audi e Williams entre as equipes de trás — segundo o boletim de meio de temporada do Motorsport.com, que deu nota C- pra equipe. O detalhe que a nota sozinha não mostra: refiz a conta a partir dos números do próprio texto, e 18 dos 21 pontos da Haas saíram só nas três primeiras corridas do ano, quando Oliver Bearman bateu até a Red Bull na China. Das doze corridas seguintes, a equipe tirou apenas 3 pontos inteiros — o melhor resultado recente foi um 12º lugar em Silverstone.

O motivo, segundo o próprio chefe de equipe Ayao Komatsu, não é falta de esforço: “depois da pausa de abril, em termos de desenvolvimento, ficamos pra trás porque outras equipes colocaram muito mais performance no carro”. A Haas segue sendo a menor equipe do grid e, segundo a reportagem, a única que não opera no teto de gastos completo — o que eu já expliquei em detalhe no texto sobre como funciona o cost cap da F1. Bearman puxou os 21 pontos sozinho; do outro lado do box, Esteban Ocon vive o que a própria Motorsport.com chama de fase “potencialmente ameaçadora pra carreira”, agravada por peças com qualidade de fabricação inconsistente.

Williams caiu mais fundo do que a Cadillac que nunca pontuou

Aqui mora a comparação que ninguém está fazendo. A Williams tinha saído de 2025 na 5ª posição do campeonato, dois pódios de Carlos Sainz incluídos, e prometeu usar 2026 pra consolidar esse salto. Em vez disso, caiu pro 9º lugar com 11 pontos — e nem Sainz nem Alex Albon pontuam desde Mônaco, segundo o boletim da própria Motorsport.com sobre a equipe.

O carro chegou atrasado, perdeu o shakedown de Barcelona e nasceu acima do peso — o mesmo problema que eu já tinha coberto quando o FW47 nasceu pesado demais em maio, só que agora repetido no carro seguinte. O próprio Sainz admitiu que a temporada “testou minha fé”, e James Vowles reconheceu publicamente que a equipe “ainda luta pra fazer o que as outras conseguem”.

Compare com a Cadillac: 11ª colocada, zero ponto marcado, e mesmo assim saiu com nota C — “respeitável”, no texto da própria Motorsport.com sobre a estreia da equipe na Fórmula 1. A equipe roda cerca de três segundos atrás da ponta, teve nove abandonos — segundo mais do grid, atrás só da Aston Martin — e chegou perto do primeiro ponto em Mônaco, com Sergio Pérez em 11º.

Eu já expliquei por que a Cadillac nasceu em desvantagem justamente no motor, no texto sobre a largada da equipe comparada com a Haas de 2016 — mas a diferença que importa aqui é outra: a Cadillac nunca prometeu pontuar em 2026. A Williams prometeu, publicamente, brigar pelo meio de grid. Quebrar promessa dói mais que não fazer nenhuma.

Minha leitura: a nota devia medir trajetória, não posição

O boletim oficial da Motorsport.com acerta nos fatos, mas mede posição fixa — 7º, 9º, 11º — quando o que interessa de verdade nessa altura do ano é a curva. Refiz o ranking com esse critério:

EquipePontosPosiçãoTrajetória em 2026Minha leitura
Cadillac011ªEstável desde a estreia, ~3s da pontaCumpriu o combinado — nunca prometeu pontuar
Haas21Forte em março, praticamente parada desde junhoSinal de alarme sobre recurso, não sobre ritmo de carro
Williams11Queda livre desde Mônaco, sem pontos há semanasA quebra de expectativa mais dolorosa das três

Nessa régua, a Cadillac sai na frente — não porque é rápida, mas porque é a única das três que está exatamente onde disse que estaria. A Haas preocupa mais que a posição sugere, porque uma equipe pequena que já não opera no teto de gastos tem pouquíssima gordura pra correr atrás quando o resto do pelotão desenvolve mais rápido. E a Williams é o caso mais grave dos três justamente por ser o mais evitável: tem infraestrutura, tem dois pilotos vencedores de corrida, e ainda assim regrediu.

Onde essa leitura pode falhar: a Haas tem uma parceria crescente com a Toyota que deve render simulador próprio em breve, o que pode reacender o desenvolvimento no segundo semestre. E a Williams aposta tudo no pacote grande que chega perto do GP do Azerbaijão, em setembro — se funcionar, a queda vira só um capítulo ruim, não o resumo do ano. Até lá, o que fica é isto: o fundo do grid, não o topo, é onde a pausa de verão de 2026 tem mais pra explicar.

Fontes

J

Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura esportiva com análise tática, contexto e dados. Editor do Setor Norte.

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