terça-feira, 26 de maio de 2026
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FIA amplia ADUO 2026 e libera US$ 8 milhões pra socorrer Honda

FIA expande o ADUO em 2026 com nova faixa para déficits acima de 10% e bônus de US$ 8 milhões; Aston Martin/Honda sai como principal beneficiada.

Jhonathan Meireles 5 min de leitura
Carro de Fórmula 1 em pista durante etapa do campeonato 2026
Carro de Fórmula 1 em pista durante etapa do campeonato 2026

TL;DR

  • A FIA aprovou nesta sexta-feira, 8 de maio, ajustes adicionais ao mecanismo ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities) do regulamento de motores 2026, segundo apuração do Autosport e da Motorsport.com.
  • Foi adicionada uma nova faixa para fabricantes com déficit acima de 10% no índice de performance do motor a combustão, com alívio de cost cap de US$ 11 milhões — antes o teto era 8% com US$ 8 milhões.
  • Há ainda um bônus único de US$ 8 milhões em 2026, válido para qualquer fabricante atrás do benchmark, independente da escala normal, conforme a tabela publicada pelo Autosport.
  • A Honda, parceira da Aston Martin, é a fabricante mais atrasada do grid e principal beneficiada, com problemas combinados de potência e confiabilidade desde o GP da Austrália, conforme The Race.

O que mudou no ADUO esta semana?

A FIA reescreveu a tabela de catch-up criando uma sexta faixa: fabricantes 10% ou mais atrás do benchmark de potência do motor a combustão (ICE) recebem US$ 11 milhões em alívio de cost cap e 230 horas extras de dinamômetro por período ADUO. Antes, o pior cenário previsto era 8% de déficit. A confirmação veio em comunicado da entidade, replicado integralmente pelo Autosport nesta sexta.

Déficit ICEAlívio cost capHoras extras dyno
Menor que 2%US$ 00
2–4%US$ 3,0 mi70
4–6%US$ 4,65 mi110
6–8%US$ 6,35 mi150
8–10%US$ 8,0 mi190
10%+ (novo)US$ 11,0 mi230

Tabela publicada pelo Autosport, traduzida.

Sobre essa escala normal, a FIA acrescentou uma linha temporária: até US$ 8 milhões adicionais válidos só em 2026, liberados para qualquer fabricante atrás do benchmark. É um colchão extra para o primeiro ano da era de unidades de potência híbridas com 50% de energia elétrica.

Por que a Honda virou alvo da regra?

A Honda chegou em 2026 com a unidade de potência mais fraca do grid, e os primeiros cinco GPs deixaram pouca dúvida: o motor RBPT-Honda da Aston Martin combina déficit de cavalos com problemas de confiabilidade desde o teste de Bahrein, segundo cobertura do The Race. Fernando Alonso e Lance Stroll abandonaram corridas por falha técnica em três das cinco etapas até aqui, num roteiro que o Autosport descreve como “horror start”.

A Honda não é uma estreante. A marca japonesa fornece motor desde 2015 e foi a base do tetra de Verstappen entre 2021 e 2024. A diferença é que o regulamento 2026 zera o jogo: arquitetura nova, unidade elétrica mais agressiva, combustível 100% sustentável. Quem errou na bancada paga em pista. A FIA havia desenhado o ADUO original justamente para evitar uma repetição do ciclo 2014–2017, quando Renault e Honda ficaram quatro temporadas perseguindo Mercedes e Ferrari sem conseguir socorro regulatório.

A reportagem do Autosport reforça o ponto que a FIA fez questão de incluir no comunicado: “ADUO não é bala de prata”. O dinheiro extra e as horas de dyno só funcionam se a Honda souber o que fazer com eles. O calendário aperta — o primeiro ponto de medição agora é o GP do Canadá, no fim de maio.

O que muda no calendário do ADUO?

Com o cancelamento dos GPs de Bahrein e Arábia Saudita ainda no início da temporada, a FIA reorganizou os três períodos de avaliação. O cronograma original previa medições após as etapas 6, 12 e 18; agora os pontos foram comprimidos para acompanhar o calendário enxugado.

Período ADUOEtapasReview
11–5Após Canadá
26–11Após Hungria
312–18Após México

Cronograma confirmado pela Motorsport.com.

Na prática, isso significa que a Honda tem só mais uma corrida — Imola, semana que vem — para entregar dados antes da primeira janela oficial de catch-up. Se o déficit medido em Montreal cair na faixa nova de 10%+, a Aston Martin ganha US$ 11 milhões fora do teto de gastos mais o bônus de US$ 8 milhões deste ciclo, totalizando até US$ 19 milhões liberados para upgrade do motor sem comer o cost cap operacional do time.

FAQ

O que é o ADUO no regulamento de F1 2026?

ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities) é um mecanismo escrito no regulamento técnico 2026 que libera dinheiro extra fora do cost cap e horas adicionais de dinamômetro para fabricantes de motor que ficam atrás do benchmark de performance. A medição é feita em três janelas durante a temporada, e o alívio é proporcional ao tamanho do déficit.

Quanto a Aston Martin pode receber em 2026?

Se a Honda for medida com déficit acima de 10% no índice ICE após o GP do Canadá, a Aston Martin terá direito a US$ 11 milhões em alívio de cost cap e 230 horas extras de dinamômetro só na primeira janela. Somando o bônus único de US$ 8 milhões válido para 2026, o time pode liberar até US$ 19 milhões em desenvolvimento de motor sem comprometer o teto operacional de US$ 215 milhões do regulamento financeiro.

Por que a FIA mudou as regras no meio da temporada?

A entidade já tinha o ADUO escrito antes do início do ciclo 2026, mas só agora calibrou os números com dados reais de pista. A combinação de Honda em crise, cancelamento de duas etapas iniciais e pressão das equipes para evitar uma temporada decidida no primeiro mês acelerou o ajuste. A FIA também declarou que pode revisar de novo o sistema de medição se for necessário, conforme Motorsport.com.

Fontes

Foto: mibro (Pixabay)

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Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura esportiva com análise tática, contexto e dados. Editor do Setor Norte.

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