terça-feira, 26 de maio de 2026
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Wembanyama fez 41 e 24, acertou um de Curry e roubou o Jogo 1 em OKC

O Spurs venceu o Thunder por 122 a 115 em dois overtimes. Wembanyama entrou para um clube de duas pessoas na história — e o segundo nome é Wilt Chamberlain.

Renato Albuquerque 5 min de leitura
Quadra de basquete iluminada vista do alto durante jogo de playoffs
Quadra de basquete iluminada vista do alto durante jogo de playoffs

Faltavam segundos para o fim do primeiro overtime e o Thunder respirava: 108 a 105, bola com OKC, casa lotada, série encaminhada. Aí Wembanyama pegou a bola pouco depois da linha do meio, plantou os pés como se estivesse a cinco metros da cesta, e soltou de 28 pés. Entrou. 108 a 108. O lance é de Stephen Curry — e quem fez tem 2,24 m e joga de pivô. O jogo foi para o segundo overtime e nunca mais foi do Thunder.

O Spurs ganhou por 122 a 115 em dois overtimes, em Oklahoma City, e abriu 1 a 0 nas finais do Oeste. O placar conta uma parte. O que Wembanyama fez conta o resto.

O que aconteceu em OKC

41 pontos, 24 rebotes. Os números estão no recap do ESPN e no boxscore do CBS Sports. Não é uma linha de estatística boa — é uma linha de estatística que praticamente não existe. Wembanyama virou o jogador mais jovem da história da NBA a registrar 40 pontos e 20 rebotes num jogo de playoffs: 22 anos e 134 dias, conforme o ESPN. E foi o primeiro desde Wilt Chamberlain, em 1960, a cravar 40 e 20 na estreia em final de conferência.

Quando o nome que aparece ao lado do seu numa lista é Chamberlain, e o intervalo entre vocês dois é de 66 anos, não há contexto que diminua o feito.

O detalhe que separa esse jogo de uma simples noite inspirada foi o segundo overtime. Wembanyama fez 9 a 7 sobre o Thunder inteiro naquele período, acertando os três arremessos que tentou, com quatro rebotes e um toco, segundo o CBS Sports. Fechou com duas enterradas no último minuto, uma delas convertida em jogada de três pontos. Não foi acúmulo de garbage time. Foi o melhor jogador da quadra decidindo no momento em que decidir é mais difícil.

O Spurs ainda teve Dylan Harper com 24 pontos e 7 roubadas — número de roubadas que, num jogo de final de conferência, ganha jogo sozinho. Pelo lado do Thunder, Alex Caruso fez 31 saindo do banco e Jalen Williams 23, dados do recap do KSAT. Não faltou resposta de OKC. Faltou parar o pivô.

Por que isso importa para a série

Roubar o Jogo 1 fora de casa muda a aritmética da série. O Thunder era favorito porque tinha o fator quadra e a defesa número um da liga na temporada. Os dois argumentos sofreram no mesmo jogo: a vantagem de quadra foi embora na primeira noite, e a melhor defesa do campeonato levou 122 pontos e não achou resposta para um único jogador em 58 minutos de basquete.

A leitura honesta exige cautela. Um jogo de dois overtimes é, por definição, um jogo decidido por margem mínima — bastava uma posse a menos do Spurs para a conversa ser outra. Caruso fazer 31 pontos saindo do banco não se repete toda noite, e isso jogou a favor de OKC; mesmo assim o Thunder perdeu. Esse é o dado que mais pesa: o Thunder teve seu cenário de azarão dar certo e ainda assim caiu.

Minha leitura: a série vira xadrez tático agora. O Thunder vai ter de inventar uma defesa para Wembanyama que não existia no plano original — provavelmente dobra agressiva e troca tudo, abrindo mão de algo em outro lugar. Quem se beneficia de espaço aberto pelo Spurs é Harper, e foi exatamente ele quem fez 24 e 7 no Jogo 1. O Thunder está entre tapar o gigante e soltar o armador. Não dá para fazer os dois.

Tem um precedente que vale cruzar. Quando uma equipe topo de defesa toma 122 num jogo de playoff, a reação clássica é endurecer o garrafão e aceitar dar arremesso de fora. Contra a maioria dos pivôs, funciona. Contra um pivô de 2,24 m que solta de 28 pés para empatar e mandar para o segundo overtime, a regra quebra: não há onde recuar que esteja fora do alcance dele. É o tipo de problema que a NBA quase não viu desde a era dos pivôs dominantes dos anos 1990 e 2000 — e mesmo aqueles não arremessavam de meia-quadra. O Thunder não tem manual antigo para copiar. Vai ter que escrever um.

O que observar no Jogo 2

  • O ajuste defensivo de OKC sobre Wembanyama. Se vier dobra fixa, o jogo abre para Harper e Vassell. Se vier marcação individual de novo, foi a teimosia que custou o Jogo 1.
  • Os minutos de Wembanyama. Jogar 58 minutos num jogo de dois overtimes cobra no jogo seguinte, e o Jogo 2 vem rápido. Volume de minutos é o teto silencioso desse Spurs.
  • A resposta de Caruso. 31 pontos do banco é pico, não média. Se OKC depender disso de novo, a série inclina para San Antonio.

Nota deste jogo, em letra: A+ para Wembanyama, B+ para o Spurs como time, C para a tese de que o Thunder fecharia a série em casa com folga. Era para ser blueprint do favorito. Virou aviso ao favorito.

Fontes

R

Escrito por

Renato Albuquerque

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