terça-feira, 26 de maio de 2026
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O ajuste do Thunder no Jogo 2 contra Wembanyama — e por que provavelmente não basta

OKC perdeu o Jogo 1 com 41 e 24 do francês. Mark Daigneault prometeu mudar o esquema defensivo. Veja o que muda — e o problema estrutural que dois ajustes não resolvem.

Renato Albuquerque 4 min de leitura
Pivô alto de basquete da NBA disputando bola no garrafão durante jogo de playoffs
Pivô alto de basquete da NBA disputando bola no garrafão durante jogo de playoffs

Cinco minutos depois do apito final do Jogo 1, no vestiário do Frost Bank Center, Mark Daigneault chamou Lu Dort, Jalen Williams e Chet Holmgren num canto. Não houve grito. Houve aquele tipo de conversa baixa que técnico de NBA tem quando perdeu por 19 em casa adversária e o cara de 18 anos do outro time fez 41 e 24. Daigneault disse a eles que o esquema “ia mudar”. Foi a única coisa que vazou. O que ele não disse — e que vamos discutir aqui — é que o problema do Thunder com Victor Wembanyama não é esquema. É geometria.

A versão de 30 segundos

San Antonio venceu o Jogo 1 das finais do Oeste por 124 a 105, conforme placar NBA.com. Wembanyama jogou 38 minutos, terminou com 41 pontos, 24 rebotes, 4 tocos e 5 assistências — o primeiro 40-20-4 em jogo único de playoff da história, segundo o Basketball-Reference. O Thunder respondeu com 27 de Shai Gilgeous-Alexander e 19 de Holmgren, mas o que importa é o que está atrás dessa diferença: o French Twin Towers (Wemby + Sochan) está pegando o OKC numa armadilha tridimensional.

E ajuste defensivo do Daigneault, na minha leitura, não resolve. Vou explicar por quê em três conceitos.

Conceito 1 — Por que double team em Wemby vira corner three

Esquema padrão pra parar pivô dominante em playoff é o double-team com rotação curta. Manda um segundo defensor cedo, força o passe, espera o terceiro defensor cobrir o canto.

Funciona com Jokic, funciona com Embiid (quando tá inteiro), funcionou com Shaq nos anos 2000. Não funciona com Wembanyama.

Motivo: Wemby passa por cima do double-team. Literalmente. Os 2,24m de altura dele, conforme medição oficial da NBA Combine de 2023, deixam o passe sair limpo sobre os braços do segundo defensor. Não há sacrifício de visão. No Jogo 1, ele teve 5 assistências, três delas para Devin Vassell no canto, na área que o defensor do Thunder estava obrigado a abandonar. Vassell foi 6 de 9 em três. Isso vai continuar acontecendo.

Conceito 2 — Trocar (switch) é entregar mismatch impossível

Se o Thunder optar por switch tudo (trocar marcação em todo bloqueio), o problema é outro: vai entregar Wemby em isolamento contra base do OKC. Cason Wallace tem 1,93m. Shai tem 1,98m. Não há como segurar um cara que faz arremesso de 3 a 7,2m de altura efetiva de soltura, conforme o Synergy Sports.

Em 2025-26 fase regular, Wemby foi 41,2% em arremessos contestados em isolamento contra defensor sub-2,00m, conforme NBA Stats. Esse número é absurdamente alto — Kevin Durant em pico de carreira ficava em 39%.

Switchar é entregar duas coisas: o arremesso e o post-up subsequente. Você troca um problema agudo por dois crônicos.

Conceito 3 — Defesa de área (zona) também não fecha

O recurso técnico clássico contra pivô dominante é a 2-3 zone, que prioriza fechar o garrafão e força o ataque a chutar de fora. O San Antonio espera isso. Pequena pesquisa: o Spurs foi o segundo melhor time de spot-up shooting da liga em 2025-26, com 41,7% em catch-and-shoot da linha, segundo Cleaning the Glass. Vassell, Castle e Sochan são todos perigosos de fora.

Mais: a zona deixa Wemby como passador-pivô elevado, e ele lê zona melhor do que pivô nenhum lê na liga atual. Não vai ser eficiente.

Onde isso falha — o que Daigneault PODE fazer

Pra ser honesto, três coisas que ainda têm chance:

1) Fadiga. Wemby jogou 38 minutos no Jogo 1. Em 7 jogos de série de finais, 38 minutos por noite é desgaste pesado pra alguém com 18 anos e ainda em construção física. O OKC pode contar com queda de eficiência no terceiro jogo em diante.

2) Pressão na chegada. Em vez de double-team no garrafão, pressionar Wemby antes dele receber, atrasando o catch em 1-2 segundos. Custa esquema e exige defensor secundário sempre pronto, mas tira o tempo dele.

3) Forçar Sochan a fazer arremesso. Sochan é o ponto fraco ofensivo da titularidade. Se o Thunder deixar ele aberto e fechar tudo no resto, pode forçar 5-7 três de Sochan por jogo. Sochan acertou 34,1% em três na fase regular, segundo Basketball-Reference. Não é catástrofe, mas é a borda do esquema.

A previsão

O Thunder ganha o Jogo 2 só se Wembanyama tiver uma noite ruim. Estatisticamente, em playoff, jogadores no nível dele têm noite ruim em 1 a cada 4 jogos. Então: 25% de chance OKC bater o Spurs no Jogo 2, na minha leitura. O outro 75% é San Antonio abrir 2 a 0 e fazer o Thunder ter pesadelo em casa por mais quatro dias.

Daigneault vai mexer no esquema, sim. Mas o problema dele não é o quadro tático. O problema dele tem 18 anos, 2,24m, e está só começando.

Fontes

R

Escrito por

Renato Albuquerque

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