terça-feira, 26 de maio de 2026
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Knicks tiraram 22 do Cavs em 7 minutos — e o Leste mudou de eixo

Cleveland liderava por 22 com 7:52 no relógio. Acertou 22% do chão pro fim. Brunson fez 38 e Nova York abriu 1 a 0 nas finais do Leste com 115 a 104 na prorrogação.

Renato Albuquerque 5 min de leitura
Quadra de basquete com torcida do Madison Square Garden em pé durante jogo de playoffs
Quadra de basquete com torcida do Madison Square Garden em pé durante jogo de playoffs

Faltavam 7 minutos e 52 segundos no quarto período, Cleveland ganhava por 22 e o Madison Square Garden estava em silêncio. Você conhece esse silêncio do Garden — é o silêncio de quem se preparou para acreditar de novo e levou um soco no estômago dos visitantes. Donovan Mitchell tinha acabado de empilhar uma sequência de cestas, o Cavs subia para 93 a 71, e o jogo era questão de cronograma.

Aí veio um run de 44 a 11 que ninguém viu. Os Knicks ganharam por 115 a 104 na prorrogação e abriram 1 a 0 na série. O placar virou ata histórica. O que a ata não explica é como o Cleveland acertou 22% do chão depois daquele 93 a 71, segundo o recap da Yahoo Sports — número que praticamente não existe em jogo de final de conferência.

A tese: o Cavs perdeu o jogo, não os Knicks ganharam

O comeback de 22 pontos vai virar VHS de Brunson nos próximos anos. Vai render manchete em três línguas. Mas a leitura honesta do que aconteceu no Garden é outra: foi o Cavs que apagou a luz primeiro. Os Knicks fizeram a sua parte — Brunson terminou com 38, comandou o run de 44 a 11 dos últimos 7:40 mais a prorrogação, conforme a NBA.com — porém o que tirou o jogo de Cleveland foi a própria Cleveland.

22% de aproveitamento de quadra em 12 minutos de basquete cronometrado é o que um time entrega quando para de mover a bola e começa a ouvir o relógio. É o que aconteceu lá: o Cavs trocou ataque ensaiado por isolação, Mitchell tomou tiros forçados, e o resto da equipe assistiu. Quando o melhor cestinha do seu time está pegando arremesso difícil enquanto o resto observa, você não está mais jogando ataque — está esperando o jogo acabar.

Três evidências de que foi colapso, não milagre

1) A defesa dos Knicks não mudou tanto assim. O recap da NBA mostra que Nova York não trocou marcação inteira nem fez ajuste tático radical no fim. Continuou a defesa pesada do quarto inicial — só que agora encontrava Cavs parados, sem corte, sem movimento sem bola. Quando você só pega bola e arremessa, qualquer defesa fica boa. É a primeira regra que se ensina em piso de quadra: ataque ruim faz defesa parecer ótima.

2) Os 22% são fora da curva de Cleveland. O Cavs foi a quinta melhor ofensiva da fase regular em eFG%, segundo o basketball-reference. Cair pra 22% nos minutos finais não é variação esperada — é colapso. E colapso em jogo único, em casa adversária, num jogo que estava ganho, conta uma história mental, não tática.

3) Kenny Atkinson manteve os timeouts. O técnico foi questionado no pós-jogo e defendeu não chamar parada no run, conforme o Yahoo. Defendeu mal. Você guardar timeout pra prorrogação que talvez nunca venha enquanto seu time perde 22-0 em 5 minutos é decisão que se debate. Não estou dizendo que o timeout teria mudado o jogo — estou dizendo que a defesa “guardei pra depois” só funciona se “depois” existe.

O contra-argumento honesto

Há um caminho de leitura em que os Knicks merecem mais crédito do que estou dando. Brunson fez 38 e foi o cara que puxou cada uma das posses do comeback. Quando você troca de modo “fazendo o jogo passar” para “estou virando isso aqui sozinho”, e o resto do time atende — Hart, Bridges, Towns aparecem nos momentos certos —, isso é mérito ofensivo, não acaso.

E há um precedente: Brunson já tinha feito coisa parecida em série contra o Indiana em 2024, num quarto período de 25 pontos próprios contra Tyrese Haliburton. Quem tem uma virada dessas na conta, talvez tenha duas. A diferença é que aquela contra Indiana acabou em derrota da série. Esta abre 1 a 0 nas finais — e isso muda a aritmética toda.

Onde isso deixa o Jogo 2

O Cavs viaja para o Garden agora com dois problemas que não tinha quando saiu de Cleveland: a confiança de que basta jogar bem 40 minutos sumiu, e o histórico do Brunson agora inclui um segundo comeback monstro de playoff. Atkinson tem dois dias para responder. Minha aposta:

  • Vai dobrar em Brunson o tempo todo. Espera mais blitz fixa no pick-and-roll, deixando o Mitchell Robinson aberto no rolo. A ideia é tirar o cara da quadra.
  • Vai cortar a rotação curta. O bench do Cavs deu pouco no Jogo 1. Atkinson tem que decidir entre confiar mais nos 5 titulares (e cansá-los) ou expandir e arriscar.
  • Mitchell precisa do ataque dele desenhado, não improvisado. Os últimos 12 minutos do Jogo 1 foram cinco posses de iso para o Donovan. Não dá pra repetir.

Letter grade do Jogo 1, na minha cartela: A para Brunson (38 e seis assistências no quarto), B+ para os Knicks como time, D para a tese de que Cleveland fechava esse jogo. Era para ser noite de aprontar a série. Virou noite de aprender que liderança no quarto período não conta antes do apito final.

Fontes

R

Escrito por

Renato Albuquerque

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