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sábado, 19 de setembro de 2026
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Futebol

O teste que separou Vitória e Corinthians na Copa do Brasil

Vitória e Corinthians precisavam reverter 2 gols nas oitavas da Copa do Brasil na mesma quinta. Um fez 4 a 0. O outro venceu por 2 a 1 — e caiu mesmo assim.

Camila Bertoldo 7 min de leitura
estádio de futebol lotado à noite, torcida nas arquibancadas antes de partida decisiva
estádio de futebol lotado à noite, torcida nas arquibancadas antes de partida decisiva

Às 21h de quinta-feira (6), dois times entraram em campo precisando exatamente da mesma coisa: reverter dois gols de desvantagem, em casa, com o adversário jogando pelo empate. No Barradão, o Vitória fez 4 a 0 no Athletico-PR e nem sentiu o resultado do primeiro jogo. Na Neo Química Arena, o Corinthians venceu o Internacional por 2 a 1 — e mesmo assim foi eliminado. Duas provas idênticas, dois resultados opostos, na mesma noite da Copa do Brasil.

Isso não é sobre sorte de chaveamento. É sobre o que cada time fez com os 90 minutos que tinha.

A tese: reverter é teste de personagem, não de sorte

Minha leitura é direta: quando um time precisa de dois gols de vantagem para virar um mata-mata, o problema deixa de ser tático e vira comportamental. Não dá pra “administrar” a reversão — ela exige acelerar o jogo desde o apito inicial, aceitar o risco defensivo que isso traz, e não recuar quando o primeiro gol sai. O Vitória fez isso à risca. O Corinthians jogou como quem tinha o placar sob controle, tomou o empate do Internacional no início do segundo tempo e não teve fôlego pra buscar o terceiro gol que resolveria a conta.

Vitória: a goleada que resolveu o problema em 45 minutos

Depois de perder por 2 a 0 no jogo de ida em Curitiba, o Vitória tinha uma missão clara: pressionar desde o apito. Fez isso. Abriu o placar com Renê ainda na etapa inicial, ampliou com Erick antes do intervalo e fechou a conta no segundo tempo com mais um gol de Renê e um de Marinho — 4 a 0 no Barradão, 4 a 2 no agregado, conforme relatou o Lance!. O goleiro Lucas Arcanjo também apareceu bem nas vezes em que o Athletico-PR tentou reagir, segundo a mesma reportagem.

O que salta aos olhos é o timing: dois gols ainda no primeiro tempo. O Vitória não deixou o jogo chegar aos 60 minutos com a conta em aberto — que é exatamente o momento em que reversões desandam, porque o time que precisa do resultado começa a jogar com medo de tomar o gol que fecha a eliminação de vez.

Corinthians: venceu, mas fez a conta errada

O Corinthians tinha o mesmo problema — 0 a 2 sofrido em Porto Alegre — e fez metade do trabalho. Pressionou o primeiro tempo inteiro, criou as chances mais claras pelo lado de Kaio César e abriu o placar aos 42 minutos, com Gustavo Henrique aproveitando rebote de cobrança de falta de Rodrigo Garro, de acordo com o relato do Lance! sobre a partida. Até aí, o roteiro era parecido com o do Vitória.

A diferença apareceu no segundo tempo. Em vez de manter a pressão que vinha funcionando, o Internacional cresceu nos contra-ataques e empatou com Alexandro Bernabei, que arrematou de fora da área depois de assistência de Alan Patrick. O Corinthians ainda voltou à frente com Pedro Raul aos 24 minutos da etapa final — mas 2 a 1 não paga uma desvantagem de dois gols. Terminou eliminado por 3 a 2 no agregado, o atual campeão da competição fora antes das quartas.

O técnico Fernando Diniz colocou a culpa na arbitragem depois do jogo: “Lá o pênalti foi claro, no Bidu, e aqui foi clara a falta no Kaio César. O que mata a arbitragem é a falta de critério. […] Foi determinante para o resultado do jogo”, disse, em declaração reproduzida pelo Lance!. É uma queixa legítima de discutir — mas não explica por que o time perdeu o controle do jogo justamente nos minutos em que mais precisava sustentá-lo.

O resto da rodada confirma o padrão

As outras seis vagas nas quartas de final reforçam a mesma lógica: quem chegou embalado do primeiro jogo, fechou a conta sem drama. Atlético-MG (1 a 0 no Juventude, depois de 0 a 0 na ida) e Santos (1 a 0 no Remo) resolveram na terça-feira (4) com resultados simples. Na quarta (5), Cruzeiro bateu a Chapecoense por 2 a 0 no Mineirão — gols de Matheus Henrique e Kaio Jorge —, e o Grêmio venceu o Mirassol por 1 a 0 na Arena, o suficiente depois do 1 a 1 na ida.

O caso mais parecido com o do Vitória foi o do Vasco, que já vinha de vantagem construída fora de casa e ainda goleou o Fluminense por 3 a 1 no Maracanã — dois gols de Brenner e um de Puma Rodríguez — no único clássico das oitavas. Já o Palmeiras administrou a vaga com a vantagem que tinha construído na ida (vitória por 3 a 0), mesmo perdendo o jogo de volta por 3 a 2 para o Fortaleza. Nenhum desses times precisou fazer o que o Vitória e o Corinthians tiveram que fazer: sair atrás por dois gols e resolver tudo em 90 minutos.

Onde a tese pode falhar

Dá pra argumentar que estou simplificando. O Internacional entrou em campo com um bloco mais organizado que o Athletico-PR — Bernabei, autor do gol e de uma assistência, recebeu nota 8.0 no Sofascore como melhor em campo da partida, segundo o próprio Lance!. Times de rendimento mais consistente defendem vantagem melhor do que times em crise, e isso pesa tanto quanto a postura tática. Também é verdade que decisões de arbitragem afetam o ritmo de uma reversão — um pênalti não marcado no momento certo muda o cálculo de risco que o time visado precisa fazer.

Ainda assim, a diferença de postura entre os dois jogos foi visível demais para ser só sorte. Um time pressionou por 90 minutos ininterruptos. O outro pressionou por 45 e depois deixou o adversário decidir o ritmo do jogo.

Onde isso te leva

O Corinthians segue vivo na temporada — enfrenta o Red Bull Bragantino pelo Brasileirão no domingo (9) e estreia contra o Rosário Central nas oitavas da Libertadores já na quinta seguinte (13), conforme a agenda divulgada pelo clube. A eliminação dói pelo caráter simbólico (o atual campeão caindo antes das quartas), mas não fecha o ano. Para o torcedor que quer entender por que o Corinthians não sustentou a pressão — e por que o time já vinha de uma fase parecida mais cedo na temporada —, vale revisitar a queda do Corinthians para o Mirassol, que já havia acendido o alerta sobre o time de Diniz.

Já o Vitória embarca para o sorteio das quartas de final — marcado para terça-feira (11), na sede da CBF no Rio — como uma das histórias mais fortes da fase, ao lado de Atlético-MG, Santos, Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras, Vasco e Internacional. Cada um dos oito classificados já garantiu R$ 4 milhões em premiação, e os jogos de ida estão previstos para 26 de agosto. O padrão que vale reter: em mata-mata de gol fora, o time que precisa reverter só tem uma tática de verdade, que é jogar como se o placar do primeiro jogo não existisse — o mesmo raciocínio, aliás, que valeu para o Grêmio na virada que discutimos na Sul-Americana, outra equipe que topou construir vantagem cedo em vez de esperar a sorte decidir.

Quem quiser acompanhar as consequências disciplinares da fase — casos de cartão acumulado que podem tirar titulares logo nas quartas — encontra o cenário completo no guia de suspensões entre Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil. E quem estiver de olho no que Diniz comentou sobre a renovação de Memphis Depay depois do jogo — ele disse que a negociação “está muito perto de acontecer” — pode entender o contexto maior do mercado nesta reta final de julho e agosto no guia da janela de transferências do Brasileirão.

Fontes

C

Escrito por

Camila Bertoldo

Cobertura esportiva com análise tática, contexto e dados.

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