terça-feira, 26 de maio de 2026
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O onze titular do Brasil já está escondido dentro dos 26

A lista de Ancelotti não foi só sobre quem entrou. Lê-la como escalação revela o XI provável da estreia — e onde Neymar realmente cabe.

Jhonathan Meireles 5 min de leitura
Quadro tático com onze posições marcadas em um campo de futebol
Quadro tático com onze posições marcadas em um campo de futebol

Vinte e quatro horas depois do anúncio, o debate ainda gira em torno de quem entrou e quem ficou. Neymar voltou, João Pedro caiu, Thiago Silva ficou para casa. Mas Ancelotti não convoca para discutir convocação — ele convoca para montar um time. E quando você lê os 26 como escalação, e não como lista de chamada, aparece um onze inteiro que ninguém ainda colocou no campo de cabeça.

A pista estava no palco do Museu do Amanhã: foi ali que ele dividiu a braçadeira entre Marquinhos, na zaga, e Casemiro, no meio. Capitão não é honra distribuída por antiguidade num técnico italiano. É eixo. Quem manda na linha defensiva e quem manda na linha de transição já está decidido. O resto se encaixa em volta desses dois.

O que a divisão de braçadeira entregou

Marquinhos lidera a defesa e Casemiro lidera o meio, segundo o que Ancelotti detalhou no anúncio de 18 de maio, reportado pelo ESPN e pelo Sports Illustrated. Parece protocolo. Não é. É a confirmação de que o desenho base não muda: 4-2-3-1 com Casemiro como âncora fixa, não como peça a definir.

Isso resolve metade do meio-campo antes de qualquer amistoso. A dupla de volantes vinha sendo a maior dúvida da era Ancelotti — Casemiro ou um perfil mais móvel? A braçadeira respondeu. Casemiro joga, e joga de início. Ao lado dele, Bruno Guimarães é o nome com função de ligação: recompõe, conduz, abre. Os outros oito vão se acomodar a partir desse par.

A leitura que faço: Ancelotti não montou um elenco com 26 candidatos a titular. Montou um time de onze com 15 funções de apoio claramente definidas. O ESPN, ao publicar a previsão de escalação dos candidatos ao título, chegou praticamente ao mesmo XI que se deduz da própria lista — sinal de que o desenho está mais fechado do que o barulho sugere.

O onze que sai da lista

Cruzando a divisão de capitania, os oito ingleses do elenco (Alisson, Gabriel Magalhães, Casemiro, Bruno Guimarães, Cunha, Martinelli, Igor Thiago e Rayan, segundo levantamento da Sky Sports e do worldcuppass) e a forma recente de cada um, o onze provável da estreia se desenha quase sozinho.

PosiçãoProvável titularQuem disputa
GoleiroAlissonBento ficou fora; vaga sem disputa real
Lateral-direitoWesleya posição mais aberta dos onze
ZagaMarquinhos (capitão) e GabrielBeraldo fora; pouca rotação
Lateral-esquerdoAlex Sandroveterano por confiança, não por idade
VolantesCasemiro (capitão) e Bruno Guimarãesdupla praticamente cravada
Meia ofensivoVinicius Jr. (esquerda), Raphinha (direita)Martinelli como variação por Vini
CentroEndrickNeymar disputa esse posto
CentroavanteCunhaIgor Thiago é o 9 de plano B

Esse XI bate com a projeção publicada pela ESPN e pelo Goal nos dias seguintes ao anúncio. Não é coincidência: quando o técnico fixa os dois capitães e a base inglesa, o resto é dedução.

Onde Neymar realmente cabe

Ancelotti foi direto sobre Neymar: “Passamos o ano inteiro analisando Neymar. Percebemos que neste último período ele teve continuidade e estava em boa condição física”, disse, conforme o ESPN. Repare no que ele não disse. Não disse “Neymar é titular”. Disse que ele teve continuidade — argumento para incluir, não para escalar.

Na minha leitura, Neymar entra como o homem do segundo tempo contra blocos baixos. O Grupo C traz Marrocos, Haiti e Escócia. Contra Haiti, e provavelmente contra Escócia, o Brasil vai encarar defesa fechada e espaço curto. É exatamente o cenário em que um jogador de bola parada e último passe vale mais saindo do banco aos 60 minutos do que correndo 90. Endrick começa pela mobilidade; Neymar entra pela criação quando o jogo trava.

João Pedro, com seus 15 gols na Premier League citados pelo Sports Illustrated, perdeu a vaga justamente para essa função — e não para a de centroavante. É a escolha mais discutível da lista, e eu entendo a crítica. Mas tem lógica: Ancelotti preferiu um criador para destravar jogo a mais um finalizador.

O que observar daqui até a estreia

A estreia é 13 de junho contra Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, segundo o Olympics.com. Antes disso, três coisas valem o olho:

  • A lateral-direita. É a única posição dos onze sem dono. Wesley larga na frente, mas é a vaga que um amistoso pode mudar.
  • O minuto de Neymar. Se ele aparecer entre os titulares de um preparatório, a leitura aqui muda. Até lá, aposto nele como impacto de segundo tempo.
  • Endrick x Cunha pelo 9. A lista sugere Cunha mais avançado e Endrick chegando da intermediária. Os amistosos dirão se Ancelotti inverte.

A lista acabou. O time, não. Mas ele já está quase todo escrito — só falta o técnico admitir em voz alta o que a braçadeira já disse por ele.

Fontes

J

Escrito por

Jhonathan Meireles

Cobertura esportiva com análise tática, contexto e dados. Editor do Setor Norte.

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