terça-feira, 26 de maio de 2026
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A lista do Brasil sai segunda: as três vagas que Ancelotti ainda não fechou

Brasil anuncia os 26 da Copa 2026 no dia 18. Goleiro e zaga estão resolvidos. O ataque sem Rodrygo e com Estêvão machucado é onde a decisão real acontece.

Camila Bertoldo 5 min de leitura
Vestiário de futebol vazio com camisas amarelas penduradas e luz baixa
Vestiário de futebol vazio com camisas amarelas penduradas e luz baixa

Você vai ligar a TV na segunda-feira às 17h, no horário de Brasília, e ver Ancelotti ler 26 nomes do Museu do Amanhã. Vinte e três deles você já sabe. A pergunta que sobra — e a única que muda alguma coisa tática — é quem ocupa as três cadeiras que ainda estão de pé no ataque, agora que Rodrygo rompeu o ligamento e Estêvão se machucou na Premier League.

Este post não recita a pré-lista de 55 nomes (essa história já foi contada aqui no dia 15). Ele faz outra coisa: separa o que está decidido do que não está, e tenta antecipar como Ancelotti vai fechar a parte que ninguém sabe ainda.

O que já está resolvido (e por que não vale discutir)

Antes de chegar na briga real, vale limpar a mesa. Há blocos da convocação que não têm suspense nenhum, e gastar texto neles seria encher linguiça.

O gol está fechado. Alisson e Ederson são presença consolidada, e o terceiro goleiro deve ser Bento, segundo a CNN Brasil. A zaga central tem Marquinhos e Gabriel Magalhães como dupla preferida de Ancelotti, com a lateral esquerda em Alex Sandro e Wesley cobrindo a direita pela ausência de Vanderson. No meio, Bruno Guimarães e Casemiro são tratados como indispensáveis pelo próprio staff, conforme a mesma análise posição por posição da CNN.

Isso responde a maior parte da lista. O que não responde é o ataque — e é ali que a convocação de segunda vira notícia, não cerimônia.

O que importa decidir antes de segunda-feira

Há quatro critérios que, na minha leitura, vão guiar os cortes finais de Ancelotti no setor ofensivo. Não são chutes: saem do padrão de escolha que o italiano vem mostrando desde que assumiu.

1. Quem repõe o lado esquerdo de Rodrygo. A baixa não é detalhe. Rodrygo rompeu o ligamento cruzado anterior e o menisco do joelho direito num jogo contra o Getafe, com prazo de retorno estimado em sete meses, segundo a CNN Brasil. Era um jogador de partir da esquerda para dentro. Sai um perfil específico, não um nome qualquer.

2. O efeito Estêvão. O garoto do Chelsea estava praticamente garantido, mas sofreu ruptura no posterior da coxa direita contra o Manchester United, em abril, o que segundo a CNN pode reabrir vagas no setor ofensivo. Se Ancelotti não tiver garantia médica, o leque de pontas muda.

3. A aposta Neymar. Ancelotti indicou que o camisa 10 do Santos poderia ir à Copa mesmo sem ter feito Eliminatórias nem amistosos, mas ressalvou o aspecto físico, conforme a Exame. É a única vaga que se decide por confiança, não por minutagem.

4. Saúde acima de currículo. Em Copa de 26 nomes com janelas curtas, um jogador 80% disponível vale menos que um suplente 100% pronto. Ancelotti foi explícito sobre isso ao tratar de Neymar.

A briga das três vagas, lado a lado

Montei o quadro abaixo cruzando o que CNN e Exame publicaram, porque ver os candidatos numa coluna só deixa a lógica do corte visível:

VagaFavoritoPerfil que repõeRisco
Ponta esquerda (lacuna do Rodrygo)Gabriel MartinelliVelocidade e diagonal por dentroOscilação no Arsenal
Vaga aberta caso Estêvão não recupereLuiz HenriqueDrible e largura pela direitaJoga no Zenit, ritmo menos testado na Europa central
Curinga ofensivo / nome de confiançaNeymarArticulação e bola paradaFísico após lesão longa

Os nomes praticamente certos no ataque — Vini Jr., João Pedro, Raphinha e Matheus Cunha — não entram na disputa porque não estão em disputa. A briga é pelas bordas da lista, e é ali que Ancelotti revela que tipo de seleção quer.

Minha escolha e por quê

Se eu fechasse os 26 hoje, levaria Martinelli como o substituto natural da função de Rodrygo, Luiz Henrique como ponta de variação e — esta é a parte impopular — Neymar de fora.

O raciocínio é tático, não sentimental. Numa Copa de fase de grupos curta, o Brasil de Ancelotti se sustenta em transição rápida e pressão coordenada. Neymar, mesmo recuperado, muda o tempo de jogo para mais lento e exige que a equipe gire em torno dele. É um ativo de jogo travado, não de torneio de mata-mata acelerado. Martinelli e Luiz Henrique mantêm a velocidade do bloco; Neymar pede que o bloco espere por ele.

O contra-argumento honesto: em jogo único de oitavas, com o placar 0 a 0 aos 75 minutos, ninguém no elenco resolve uma bola parada como ele. Se Ancelotti priorizar o cenário de “preciso de um gênio nos últimos 15 minutos”, a conta inverte. É uma decisão sobre qual risco se prefere correr, não sobre quem é melhor jogador.

O que observar quando a lista sair

A leitura tática começa no momento em que Ancelotti terminar de ler os nomes. Três coisas dizem mais que o resto:

  • Quantos pontas canhotos de pé direito ele leva. Indica se quer repor a função do Rodrygo ou abandonar esse movimento.
  • Se Neymar entra como 23º ou como peça de plano A. Um nome de confiança no fim da lista é seguro; no miolo, é sistema.
  • O número de zagueiros versus o de meias. Define se a aposta é controle (mais volantes) ou volume ofensivo.

A convocação de segunda terá transmissão em TV aberta e canais esportivos, segundo o Olympics.com. Mas o jogo de adivinhar acaba ali — o que vale é entender por que cada nome entrou. É isso que separa assistir do anúncio de entender o anúncio.

Fontes

C

Escrito por

Camila Bertoldo

Cobertura esportiva com análise tática, contexto e dados.

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